Morte no Gelo - Capítulo 4 (final)
À nossa frente não havia nada. Não éramos mais vinte. Dez, talvez. Não importava mais. Alguns iam caindo e ficavam encravados na neve. Mortos? E daí? Ali era o nosso fim.
Caminhamos um pouco mais e já éramos bem menos de dez. Estamos longe de tudo. Silêncio total. Terra branca, frio congelante. Ali não é meu lugar, mas estou condenado a ficar ali para sempre. Um lugar perfeito para aqueles que realmente nunca existiram, nunca foram gente. Não haverá amanhã, não há perspectiva alguma. Não há mais vida.
Estou cansado, minhas pernas fraquejam, minha boca fica seca. Caio de joelhos e nada mais enxergo. Está difícil enxergar, respirar, me mover. Não dá mais. Estou caindo...
Um último suspiro serve-me de alento. Estou deitado na neve. Abro lentamente os olhos. Tudo igual. Branco, gelado e silencioso. Não ouço mais nem o caminhar nem o respirar daqueles que me acompanhavam. Estou só.
Lembro-me da última batalha, horas atrás. Devia Ter morrido lá. Não deixo rancor, pois tudo o que restou de minha memória é uma vaga lembrança de uma existência podre. Não deixo legado, pois ele não existe. Não deixo amigos, pois nunca os tive. Não deixo amor, pois ele não existe. Lamento ter nascido, lamento o mundo ter existido. Será que agora terei paz?
À nossa frente não havia nada. Não éramos mais vinte. Dez, talvez. Não importava mais. Alguns iam caindo e ficavam encravados na neve. Mortos? E daí? Ali era o nosso fim.
Caminhamos um pouco mais e já éramos bem menos de dez. Estamos longe de tudo. Silêncio total. Terra branca, frio congelante. Ali não é meu lugar, mas estou condenado a ficar ali para sempre. Um lugar perfeito para aqueles que realmente nunca existiram, nunca foram gente. Não haverá amanhã, não há perspectiva alguma. Não há mais vida.
Estou cansado, minhas pernas fraquejam, minha boca fica seca. Caio de joelhos e nada mais enxergo. Está difícil enxergar, respirar, me mover. Não dá mais. Estou caindo...
Um último suspiro serve-me de alento. Estou deitado na neve. Abro lentamente os olhos. Tudo igual. Branco, gelado e silencioso. Não ouço mais nem o caminhar nem o respirar daqueles que me acompanhavam. Estou só.
Lembro-me da última batalha, horas atrás. Devia Ter morrido lá. Não deixo rancor, pois tudo o que restou de minha memória é uma vaga lembrança de uma existência podre. Não deixo legado, pois ele não existe. Não deixo amigos, pois nunca os tive. Não deixo amor, pois ele não existe. Lamento ter nascido, lamento o mundo ter existido. Será que agora terei paz?

